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Deputada Doutora Jane destaca desafios das mulheres negras na política e defende igualdade na representação

Parlamentar do Distrito Federal relata episódios de racismo, critica sub-representação feminina e defende participação de 50% das mulheres n...

Parlamentar do Distrito Federal relata episódios de racismo, critica sub-representação feminina e defende participação de 50% das mulheres nos espaços de poder


A deputada distrital Doutora Jane destacou os desafios enfrentados pelas mulheres, especialmente pelas mulheres negras, para conquistar espaço na política e em outras posições de poder. Durante seminário sobre igualdade política, a parlamentar ressaltou que as desigualdades de gênero são agravadas pelo racismo e defendeu maior participação feminina nas instâncias de decisão.

Em seu discurso, Doutora Jane afirmou ser a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) em 30 anos de existência da Casa. Para a deputada, o dado demonstra a dimensão da sub-representação política das mulheres negras no país.

Professora e delegada de polícia, Doutora Jane também abordou sua trajetória profissional para mostrar como estereótipos raciais ainda interferem no reconhecimento das mulheres negras em posições de autoridade. Antes de ingressar na segurança pública, ela trabalhou por cerca de dez anos como professora da rede pública.

Um dos episódios relatados pela deputada ocorreu quando ela era delegada-chefe de uma unidade policial. Na ocasião, Doutora Jane acolheu uma mulher vítima de violência doméstica cujo filho havia sido preso após matar o companheiro da mãe ao tentar defendê-la de uma agressão. Sensibilizada com a situação, a então delegada acompanhou a mulher durante um dia para ajudá-la com documentos relacionados à prisão do filho e ao sepultamento do companheiro.

Posteriormente, durante uma audiência judicial, a mulher afirmou que não havia sido atendida por uma delegada. Ao descobrir que Doutora Jane era justamente a delegada-chefe que havia prestado o atendimento, esperou pela policial na saída da audiência para pedir desculpas. Para a parlamentar, o episódio demonstra como o racismo e os estereótipos sociais influenciam até mesmo a percepção sobre quem pode ocupar cargos de autoridade.

Doutora Jane também criticou manifestações racistas tratadas como supostas brincadeiras. Em sua fala, mencionou o caso de uma professora negra e idosa que recebeu de estudantes um pacote de palha de aço durante o período de celebração do Dia Internacional da Mulher.

“A gente precisa gritar que racismo não é brincadeira, não é gracejo”, afirmou a deputada, ao defender que episódios dessa natureza sejam tratados com a gravidade necessária.

Ao tratar da participação feminina na política, Doutora Jane recorreu à ideia do “teto de vidro” para representar as barreiras, muitas vezes pouco visíveis, que dificultam a ascensão das mulheres. Segundo ela, esses obstáculos se tornam ainda maiores quando se considera a realidade das mulheres negras.

Na conclusão do discurso, a deputada defendeu que as mulheres avancem na busca pela igualdade de representação política. Para Doutora Jane, a reivindicação não deve se limitar a uma participação de 30%.

“Nós precisamos exigir 50%, porque nós somos maioria da população brasileira”, declarou. A parlamentar reforçou que as mulheres não podem ser tímidas na disputa por espaços de decisão e que a presença feminina nesses ambientes deve ser compreendida como um direito.

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